O Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram no dia 24/11 um estudo sobre a exposição dos jovens brasileiros à violência. De acordo com o levantamento, 10 cidades apresentam o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) alto para pessoas com idade entre 12 e 29 anos, num levantamento feito em 266 municípios com mais de 100 mil habitantes; Marabá ficou como a segunda cidade mais violenta para a juventude. Na mesma cidade, a Vale entende investir 6,6 bilhões de reais para a construção da nova grande siderúrgica ALPA.
Para muitos, o índice da violência é uma questão da falência da própria família e de setores públicos do Brasil.
Para o aluno José Vicente, de 16 anos, que cursa o ensino médio no colégio Pequeno Príncipe, no núcleo da Nova Marabá, o Estado está falido na questão de educação para os jovens e com isso muitos entram na marginalidade por falta de opção. “Esse caminho só tem a chave de entrada e não a de saída,” informou Vicente.
Ele falou ainda que Marabá está vivendo um crescimento surpreendente, mas até o momento os jovens não estão sendo preparados para suportarem esse crescimento do município, com isso muitos entram na marginalidade.
O subcomandante da Polícia Militar do Estado do Pará, coronel Augusto Leitão, falou que não é justo falar que Marabá é a segunda cidade mais violenta para os jovens de 14 a 29 anos, por que Marabá é uma cidade pólo e muitas mortes violentas registradas aqui aconteceram em outros municípios.
INVESTIMENTOS
O professor de Geografia, Nilton Cardoso, falou que esse diagnóstico é muito importante, mas, além disso, Marabá precisa de ações de investimentos sociais e política de juventude, pois se hoje os moradores de Marabá fizerem uma análise na questão da juventude vão perceber que esses jovens estão sendo abandonados pelos gestores.
Anda segundo ele, pequenas ações estão sendo feitas como espaço de lazer e cultura e se criar uma política pública de juventude com certeza Marabá vai ter escolas com bibliotecas, laboratórios de informática e um espaço de lazer adequado para os alunos. “Não podemos pensar só nas riquezas econômicas da região, mas sim no povo que infelizmente está esquecido”, desabafou Nilton.
O superintendente da Polícia civil de Marabá, delegado José Casimiro Beltrão Junior, falou que na maioria dos incidentes na cidade o próprio jovem é o responsável ou então é vítima. Quando essa questão chega à polícia é porque os outros poderes já falharam. “Os menores são vitimas, mas são eles que estão atuando na criminalidade”, observou Casimiro.
Mais uma vez ele falou que o próprio Centro de Internação do Adolescente Masculino (Ciam) está cada dia mais lotado e isso é um sinal de que o número de menores envolvidos em crimes a cada dia vem aumentado.
Segundo os dados da pesquisa, as cidades onde os jovens brasileiros estão mais expostos à criminalidade são Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR), Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Teixeira de Freitas (BA), Serra (ES) e Linhares (ES).
VIOLÊNCIA
Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, 55% dos jovens brasileiros --de idades entre 12 e 29 anos-- já viram corpos de pessoas assassinadas.
A identificação do grau de violência a que os jovens são expostos é a primeira parte do “Projeto Juventude e Prevenção da Violência” promovido em 13 Estados brasileiros. Nesses locais ainda serão desenvolvidos programas de prevenção, organização de seminários de discussão com gestores, e elaboração de cartilhas para atuação em projetos de prevenção.
Fonte: Diário do Pará, 25 de novembro de 2009
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