20/08/2010 - Lançamento do filme "Não Vale" em Sepetiba - RJ 23/08/2010 - Reunião coordenação Justiça nos Trilhos em São Luis. 31/08/2010 - Lançamento do filme "Não Vale" na UEMA de São Luis. 27/09/2010 - Lançamento do filme "Não Vale" na UFMA de São Luis.
Justiça nos Trilhos oferece toda sua solidariedade à luta contra a mineração selvagem dos companheiros/as de Conceição do Mato dentro, em Minas Gerais.
Conheça mais uma experiência de resistência e luta pelos direitos do povo e por um modelo de desenvolvimento respeitoso da vida.
Em janeiro de 1964, aconteceu em Belo Horizonte a Semana em Defesa do Minério, evento promovido pelos movimentos sindical e estudantil. Era tempo de muita agitação pelas reformas de base e de muita luta contra os chamados "trustes internacionais". O alvo principal era a Hanna Corporation, que ameaçava acabar com a serra do Curral e deixar apenas os buracos. A frase de Gabriel Passos que é usada como título deste artigo serviu de motivação para arregimentar os participantes. Durante uma semana, a Secretaria de Saúde - hoje Minascentro - esteve lotada de operários e estudantes que assistiram às conferências de Miguel Arraes, Almino Afonso, Oswaldo Gusmão e Rui de Souza, que discutiam o problema da extração dos nossos minérios, especialmente o ferro de Minas Gerais. Hoje, esse assunto não levaria ao Minascentro mais que dez gatos pingados. Os tempos mudaram, e nem mesmo a ameaça de destruírem a serra da Piedade, como fizeram com o pico do Cauê, em Itabira, mobiliza mais ninguém. A exceção fica por conta de um grupo, ainda pequeno, de Conceição do Mato Dentro, cidade de tanta história e tantas tradições e que desaparecerá em poucos anos, dando grandes lucros a um novo milionário, Eike Batista. Circulam na Internet dois vídeos recomendando guardar Conceição nos olhos e mostrando a ocupação moderna, eficiente e rápida das mineradoras. Vale a pena ver (abaixo).
No evento de 1964, a grande preocupação e o principal foco da luta era a preservação de nossas riquezas. Não haveria outra safra nem havia um valor satisfatório para compensar a exploração. O lucro era dos estrangeiros. Para nós, só os buracos. Nestes tempos de globalização, a luta é pelo preço e pelo imposto. O capital não tem mais pátria, e o lucro é o único objetivo do "mercado", espécie de novo deus que domina os governos e mantém o moderníssimo sistema de comunicação, que "faz a cabeça" da maioria e fecha o círculo que produz mais lucros, sempre.
Os vídeos sobre Conceição mostram, além da prepotência e da conivência dos governos, as feridas que a Mãe Terra não consegue cicatrizar e o veneno que polui rios e nascentes, acabando com a vida.
Mas cresce a consciência de que este século será o dos direitos da Mãe Terra, assim como o século passado foi o dos direitos individuais. Talvez esteja aí o lado positivo da crise que atravessamos. Será que chegamos ao fim do domínio dos especuladores? Seremos, mesmo desorganizados, capazes de construir novos paradigmas que valorizem a vida simples e preservem a possibilidade de sobrevivência do planeta e de nós próprios? Geoff Mulgan, diretor da Young Foundation, acha que uma sociedade assim poderá vir após o capitalismo.
Tudo isso poderá mesmo ser realidade, só que através da luta da maioria da população mundial, e é aí que a esperança quase morre.
Por: Antônio de Faria Lopes, Advogado - afarial@terra.com.br
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